Pessoal, estamos prestes a começar novamente um importante trabalho envolvendo um delicioso gênero da literatura popular que é povoado pelo encantamento, pelo maravilhoso, pelo fantástico, pela mistura entre a realidade e a ficção e que é marcado pelo exagero de uma linguagem ricamente criativa e assentada na oralidade. Estou falando do cordel,claro. O cordel, aliás, está na base de manifestações musicais como a embolada e o repente. No país, os maiores representantes da área são Caju e Castanha.
O Cordel é, sem sombra de dúvidas, um gênero literário que prima pela simplicidade dos versos e pela força de suas rimas. Espécie de poesia popular de origem provençal e portuguesa, no Brasil, o cordel é muito recorrente nos estados das regiões Norte e Nordeste, onde normalmente envolve pessoas das mais diferentes classes sociais e níveis culturais. Trata-se de um estilo criativo cujo produto composicional ocupa-se de emocionar, divertir, auxiliar na memória, de certo modo, fomentando e ampliando o diálogo da sociedade, na tarefa de difundir as histórias de bravuras, bravatas, astúcias, encantos, assombramentos, amores e sofrimentos que povoam o imaginário popular. Trabalhando com um esquema de rima simplificado, denominado xaxaxa ou xaxabba, as narrativas geralmente são acompanhadas de ilustrações a que se dá o nome de xilogravura.
Para aqueles que desejam enveredar pela arte de escrever, o exercício do gênero cordelista é uma excelente sugestão, posto que aguça a criatividade dentro de uma variedade de temas e contribui para enriquecimento do repertório vocabular, uma vez que as palavras passam a se apresentar diante do compositor, por meio do estímulo da rima.

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